Muitos desses produtos dependem de ingredientes como células cítricas e óleos essenciais, que estão sujeitos à tarifa de 50%, tornando a operação inviável”

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 14/08/2025
Mesmo com o suco de laranja brasileiro fora da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, o setor exportador pode sofrer perdas imediatas de R$ 1,54 bilhão. O prejuízo decorre da inviabilidade econômica das exportações de subprodutos cítricos, que foram taxadas em 50% e renderam US$ 177,8 milhões na última safra, cerca de R$ 973,6 milhões. Além disso, há o impacto da tarifa de 10% sobre o suco de laranja, estimado em US$ 103,6 milhões (R$ 566,7 milhões).
Os dados são da safra 2024/25, conforme registros da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), divulgados pela CitrusBR – Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos. Segundo a entidade, os subprodutos da cadeia citrícola são amplamente utilizados nas indústrias de bebidas e cosméticos.
Nos EUA, aproximadamente 58% do consumo de suco é de suco reconstituído, concentrado com 66% de sólidos, semelhante ao leite condensado. Após a importação, ele é diluído com água até atingir cerca de 12% de sólidos.
“Muitos desses produtos dependem de ingredientes como células cítricas e óleos essenciais, que estão sujeitos à tarifa de 50%, tornando a operação inviável”, explicou o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto. Ele alerta que isso pode afetar a experiência do consumidor, prejudicar empresas americanas e impactar toda a cadeia produtiva brasileira.
Os óleos essenciais são cruciais para a indústria de cosméticos, conferindo notas cítricas a perfumes. Os EUA representam uma fatia significativa das exportações brasileiras desses insumos: 36% do óleo essencial prensado, 39% do óleo comum e quase 60% do d-limoneno, usado em fragrâncias e solventes naturais.
Além das tarifas, o setor enfrenta queda nos preços internacionais, reflexo de um aumento de 36% na oferta de frutas em relação à safra anterior, segundo o Fundecitrus. O preço médio da tonelada exportada para os EUA caiu de US$ 4.243 para US$ 3.387, uma retração de 20,17%.
Mantido o volume exportado, a perda com a desvalorização é estimada em US$ 261,8 milhões (R$ 1,43 bilhão). Somando os efeitos das tarifas e da queda nos preços, as perdas totais podem ultrapassar R$ 2,9 bilhões. “Apesar do alívio por estar na lista de exceções, os impactos são expressivos, especialmente diante de um mercado tão desafiador”, concluiu Netto.
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