A revelação faz parte de um lote mais amplo de arquivos, que inclui e-mails, fotografias e registros financeiros, muitos deles envolvendo personalidades de alto escalão

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 02/02/2026
O ex-embaixador britânico nos EUA, Lord Peter Mandelson, renunciou ao Partido Trabalhista após a divulgação de documentos americanos que reacenderam o escrutínio sobre seu vínculo com o criminoso sexual Jeffrey Epstein. O caso, longe de ser um episódio isolado, expõe uma teia de relações que se estende por décadas, envolvendo figuras poderosas e levantando questões profundas sobre impunidade, moralidade e a estrutura que permite a perpetuação de crimes graves.
Mandelson, afastado do cargo em Washington no ano passado após a revelação de uma carta de dez páginas endereçada a seu “melhor amigo” Epstein, anunciou sua saída do partido para evitar “constrangimentos”. Em comunicado à secretária-geral do Partido Trabalhista, ele negou irregularidades e classificou como “falsas” as alegações de que recebeu pagamentos de Epstein há mais de 20 anos, alegando não haver registros ou lembranças dessas transações. No entanto, os documentos recém-divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA incluem extratos bancários que apontam três transferências de US$ 25.000 das contas de Epstein para Mandelson entre 2003 e 2004.
Why are the BBC platforming paedophile associate and apologist Lord Peter Mandelson. He should be stripped of his peerage. Disgraceful human.#BBCLauraK #Disgrace pic.twitter.com/Jsj5hzxphO
— Alethea Bernard (@Tush27J) January 11, 2026
A revelação faz parte de um lote mais amplo de arquivos, que inclui e-mails, fotografias e registros financeiros, muitos deles envolvendo personalidades de alto escalão. As imagens editadas que mostram Mandelson ao lado de uma mulher não identificada reforçam a complexidade das conexões, enquanto o Departamento de Justiça ressalta que a mera menção de um nome nos documentos não implica necessariamente em crime — mas também não apaga os indícios de uma rede de influência e possível cumplicidade.
A relação de Mandelson com Epstein persistiu mesmo após a condenação do financiador em 2008 por aliciamento de menores, fato que o ex-embaixador já admitiu lamentar profundamente, descrevendo Epstein como um “criminoso mentiroso carismático”. No entanto, a continuidade do vínculo, somada aos novos indícios financeiros, reacende questionamentos sobre o grau de envolvimento e os motivos que mantiveram essas ligações ativas.
O caso vai além de Mandelson. Os documentos também trazem novos detalhes sobre o ex-príncipe Andrew, ampliando as críticas políticas em Londres e pressionando o primeiro-ministro Keir Starmer, acusado pela oposição de não ter agido rapidamente para expulsar Mandelson do partido. Representantes dos partidos Liberal Democrata e Trabalhista afirmaram que todas as figuras públicas com conhecimento sobre as atividades de Epstein têm a “obrigação moral” de colaborar com as investigações americanas.
We stand with Lord Peter Mandelson who was at Jeffrey Epstein house in underpants as he was about to do Wudu before praying to Allah. I am simply teaching him how to pray – Julie Siddiqi pic.twitter.com/Yfzk7DgEOT
— British Muslim Network (@BritMuzNet) February 1, 2026
A metástase do crime, aqui, não se limita aos atos de Epstein, mas se expande pela forma como indivíduos influentes mantiveram relações com um criminoso condenado, ignorando ou minimizando seus crimes. A divulgação dos documentos não é apenas um exercício de transparência, mas um lembrete de que redes de poder podem operar à sombra, protegendo seus integrantes até que a verdade venha à tona.
Enquanto as vítimas de Epstein buscam justiça, a sociedade é confrontada com a pergunta: quantas outras conexões permanecem ocultas, e quantas estruturas de poder ainda servem como escudo para a impunidade? A renúncia de Mandelson é um capítulo simbólico, mas a luta por accountability está longe do fim.
AIN






