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Nigéria rejeita declarações de Trump sobre suposta perseguição religiosa e alerta contra retórica divisiva

Chanceler nigeriano apresentou documento em Berlim para reaffirmar compromisso constitucional com a liberdade religiosa; governo descarta qualquer intervenção militar unilateral dos EUA.

BERLIM – O ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Yusuf Tuggar, rebateu publicamente as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou o país africano como um “País de Preocupação Especial” devido ao assassinato de cristãos. Em coletiva de imprensa realizada em Berlim na terça-feira, Tuggar alertou contra qualquer retórica que possa alimentar divisões religiosas ou tribais na Nigéria.

Para contrapor as acusações, o diplomata apresentou aos jornalistas um documento intitulado “Compromisso Constitucional da Nigéria com a Liberdade Religiosa e o Estado de Direito”. “Isto demonstra que é impossível haver perseguição religiosa que possa ser apoiada de qualquer forma pelo governo da Nigéria, em qualquer nível”, afirmou Tuggar, durante conferência conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul.

Acusações Americanas e a Resposta Nigeriana

No último sábado, Trump emitiu um alerta sobre possíveis ataques para “proteger” os cristãos na Nigéria, citando um “número recorde” de mortes. A medida foi tomada após um apelo do congressista americano Riley Moore, que alegou que mais de 7.000 cristãos foram mortos no país somente neste ano.

O senador Ted Cruz amplificou as críticas, acusando o governo nigeriano de permitir um “massacre” e apresentando um projeto de lei que imporia sanções a funcionários do país. De acordo com Cruz, 50.000 cristãos foram mortos na Nigéria desde 2009.

Governo Reconhece Desafios, mas Rejeita Intervenção

Autoridades nigerianas reconhecem os graves desafios de segurança, impulsionados por grupos extremistas como Boko Haram e o Estado Islâmico na África Ocidental. No entanto, a abordagem proposta por Abuja é distinta da intervenção militar sugerida pela retórica americana.

No sábado, o presidente Bola Tinubu afirmou que seu governo “se opõe à perseguição religiosa e não a incentiva”, comprometendo-se a trabalhar com os EUA para proteger comunidades de todas as religiões.

Essa posição foi reforçada por Daniel Bwala, assessor especial de Tinubu, que em entrevista descartou categoricamente qualquer intervenção militar unilateral dos EUA. Bwala argumentou que Washington deve respeitar a soberania da Nigéria e, em vez disso, fornecer apoio por meio do compartilhamento de equipamentos e informações de inteligência para combater as ameaças internas.

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