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Quando o índio viu o branco

Se o índio pudesse escrever uma crônica sobre aquele primeiro encontro, provavelmente diria

Quando o índio viu o branco

Lin Quintino

Quando o índio viu o branco

Dizem que o encontro foi histórico. Eu prefiro dizer que foi cômico, se não fosse trágico.

O índio, acostumado ao Sol, à mata e ao rio, viu chegar um homem branco, pálido como Lua cheia, coberto da cabeça aos pés, suando mais que cavalo em dia de festa. Olhou aquele ser estranho e pensou:

— Esse aí não sabe viver.

O branco, por sua vez, olhou o índio com desconfiança e decretou:

— Esse aí precisa ser salvo.

E assim começou a grande piada da “civilização”. O índio já plantava, caçava, pescava, conhecia cada erva e cada estrela. O branco, mal chegara, já queria ensinar a rezar, a vestir roupa quente em país tropical e a pagar imposto.

O índio ria. E ria alto. Porque quem parecia perdido não era ele.

O branco ofereceu espelhos, machados e bugigangas barulhentas. O índio aceitou, claro. Mas pensava:

— Se é isso que eles chamam de riqueza, melhor eu continuar com minha rede e meu rio.

O problema é que o branco não entendia piada. Levou tudo a sério: terra, água, ouro, gente. E nunca mais devolveu.

E até hoje, se o índio pudesse escrever uma crônica sobre aquele primeiro encontro, provavelmente diria:

— Quando vi o branco, percebi que ele não tinha cor… tinha fome.

Lin Quintino

As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Jornal Clarín Brasil – JCB News, sendo elas de inteira responsabilidade e posicionamento dos autores.

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