Se o índio pudesse escrever uma crônica sobre aquele primeiro encontro, provavelmente diria…

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 07/09/2025
Quando o índio viu o branco
Lin Quintino
Quando o índio viu o branco
Dizem que o encontro foi histórico. Eu prefiro dizer que foi cômico, se não fosse trágico.
O índio, acostumado ao Sol, à mata e ao rio, viu chegar um homem branco, pálido como Lua cheia, coberto da cabeça aos pés, suando mais que cavalo em dia de festa. Olhou aquele ser estranho e pensou:
— Esse aí não sabe viver.
O branco, por sua vez, olhou o índio com desconfiança e decretou:
— Esse aí precisa ser salvo.
E assim começou a grande piada da “civilização”. O índio já plantava, caçava, pescava, conhecia cada erva e cada estrela. O branco, mal chegara, já queria ensinar a rezar, a vestir roupa quente em país tropical e a pagar imposto.
O índio ria. E ria alto. Porque quem parecia perdido não era ele.
O branco ofereceu espelhos, machados e bugigangas barulhentas. O índio aceitou, claro. Mas pensava:
— Se é isso que eles chamam de riqueza, melhor eu continuar com minha rede e meu rio.
O problema é que o branco não entendia piada. Levou tudo a sério: terra, água, ouro, gente. E nunca mais devolveu.
E até hoje, se o índio pudesse escrever uma crônica sobre aquele primeiro encontro, provavelmente diria:
— Quando vi o branco, percebi que ele não tinha cor… tinha fome.
Lin Quintino

Lin Quintino – Mineira de Bom Despacho, escritora, poeta, professora e psicóloga. Academia das quais faz parte: Academia Mineira de Belas Artes – AMBA / ANLPPB- cadeira 99, / ALPAS 21, sócia fundadora, cadeira 16; / ALTO; / ALMAS; / ARTPOP; / Academia de Letras Y Artes Valparaíso (chile); / Núcleo de Letras Y Artes de Buenos Aires; / ACML, cadeira 61 Membro da OPB e da Associação Poemas à Flor da Pele. Autora dos livros de poemas Entrepalavras e A Cor da Minha Escrita. Comendas: destaque literário da ALPAS-21, / Ubiratan Castro em 2015 pela ABRASA / Certificado pela ALAF de Destaque Literário em 2014 7 Troféu destaque Mulheres Notáveis – Cecília Meireles- Itabira/MG, 2014 Participou de várias coletâneas e antologias nacionais e internacionais.
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