Especialista aponta as principais tendências que vão transformar a compra, venda e concepção de imóveis neste novo ano, com foco em tecnologia, ESG e flexibilidade.

Jornal Clarín Brasil – JCB News – Brasil 13/01/2026
O mercado imobiliário brasileiro se prepara para o ano de 2026 marcado não por uma simples retomada, mas por uma profunda transformação. As mudanças comportamentais pós-pandemia, os avanços tecnológicos irreversíveis e a pressão por sustentabilidade estão redesenhando o que significa investir, construir e morar. Em vez de esperar por uma queda na taxa de juros, o setor avança com inovações que prometem democratizar o acesso, aumentar a eficiência e criar novos nichos de valor.
De acordo com Nilson Apollo Belmiro Santos, corretor de imóveis com Creci 15673-F e especialista em tendências de mercado, o próximo ano consolidará tendências que já estão em movimento. “O cliente, seja investidor ou morador, está mais informado e exigente. Ele não busca apenas um teto, mas um lifestyle que integre tecnologia, responsabilidade ambiental e flexibilidade. Quem não se adaptar, ficará para trás”, afirma o especialista.
As Grandes Tendências para 2026
1. A Revolução Digital Chega ao Contrato (e ao Metaverso)
A digitalização, impulsionada pelas proptechs, deixará de ser um diferencial para se tornar o padrão. “Veremos a tokenização de imóveis ganhar escala, permitindo que pequenos investidores comprem ‘frações’ de um shopping center ou de um prédio comercial por meio de criptoativos”, explica Nilson Santos. Além disso, os smart contracts (contratos inteligentes) devem agilizar e dar mais segurança às transações, reduzindo a papelada e os prazos.
A experiência de compra também será imersiva. Visitas virtuais em 360º já são comuns; em 2026, projetos poderão ser “experienciados” no metaverso antes mesmo do primeiro tijolo ser levantado, permitindo personalizações e uma noção real do espaço.
2. Sustentabilidade como Requisito Obrigatório
O “green” sai do discurso e vai para a planilha de custos e valor. “A procura por certificações ambientais (como LEED e AQUA) deixará de ser um nicho de luxo. Corporações, fundos de investimento e mesmo compradores de classe média estarão atentos a isso. Um imóvel sem eficiência energética, reaproveitamento de água e materiais sustentáveis estará desvalorizado”, alerta o corretor.
Edifícios com geração própria de energia solar e conceitos de fachadas inteligentes que regulam temperatura e luz devem se popularizar, especialmente em novos lançamentos de médio e alto padrão.
3. O Fim do Imóvel “Rígido”: Co-Living, Flexibilidade e Multifuncionalidade
O modelo de trabalho híbrido veio para ficar, e isso redefine a demanda por espaço. “Os espaços co-living, que mesclam moradia com áreas compartilhadas de trabalho e lazer, crescerão, atendendo jovens profissionais e nômades digitais”, comenta Nilson. Além disso, apartamentos e casas com plantas moduláveis – onde um cômodo pode ser escritório, quarto ou sala – serão altamente valorizados.
Outra tendência forte é o Built-to-Rent: grandes projetos desenvolvidos especificamente para locação de longo prazo, respondendo à dificuldade de acesso ao crédito e ao desejo por mobilidade.
4. O Interior em Alta e o Retrofitting das Cidades
A interiorização, acelerada pelo trabalho remoto, continuará aquecendo mercados de cidades de porte médio com qualidade de vida. “Cidades do interior de São Paulo, Minas Gerais e do Sul do Brasil verão alta na valorização, com demanda por imóveis que ofereçam infraestrutura de internet e proximidade com natureza”, diz o especialista.
Nas grandes capitais, a tendência é o retrofitting: a modernização de edifícios antigos, tornando-os eficientes, tecnológicos e atraentes para um novo público, em um movimento de revitalização urbana.
Desafios e Oportunidades
O cenário não é sem obstáculos. O custo elevado da construção e a ainda restritiva política de crédito podem frear parte do potencial. No entanto, novas oportunidades surgem.
“O crowdfunding imobiliário se popularizará como porta de entrada para novos investidores. O nicho de luxo sustentável será um dos mais dinâmicos. E vejo grande potencial nos fundos imobiliários (FIIs) focados em setores específicos, como logística urbana para e-commerce, hospitais e data centers“, projeta Nilson Apollo Belmiro Santos.
2026 promete ser um ano de consolidação de um mercado imobiliário mais diverso, tecnológico e consciente. A chave para compradores, vendedores e corretores, segundo o especialista, será a adaptação. “O profissional do setor precisa dominar essas novas ferramentas e conceitos. O imóvel deixou de ser um produto físico estático para se tornar uma experiência de vida e um ativo digital. Esse é o novo normal”, finaliza Nilson Apollo.

Nilson Apollo Belmiro Santos Nascido em Belo Horizonte capital de Minas Gerais, ele divide seu tempo entre sua cidade natal, e Vila Velha no Espirito Santo, onde desempenha atividades laborativas na comunicação e comerciais no mercado imobiliário (CRECI – ES 15 673). Seus textos exploram os bastidores da diplomacia internacional, os conflitos narrativos da mídia e os impactos econômicos da multipolaridade.
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